Jogador enfrenta adversários controlados por inteligência artificial em um battle royale
Os bots estão entre os elementos mais criticados pelos jogadores de títulos multiplayer. Entretanto, uma nova pesquisa indica que adversários controlados por inteligência artificial podem ajudar novos usuários a aprender, ganhar confiança e permanecer mais tempo no jogo.
Um estudo envolvendo PUBG: Battlegrounds descobriu que, depois da introdução dos bots, os jogadores passaram aproximadamente 50% mais tempo no game. A quantidade de partidas disputadas também aumentou, enquanto as partidas realizadas em equipe com amigos cresceram cerca de 28%.
Por que PUBG começou a utilizar bots?
Lançado em 2017, PUBG rapidamente se tornou um dos maiores representantes do gênero battle royale. Com o passar dos anos, porém, o jogo enfrentou um problema comum em títulos multiplayer mais antigos: a diferença de habilidade entre veteranos e iniciantes.
Um novo jogador podia entrar em sua primeira partida e ser eliminado rapidamente por alguém com centenas ou milhares de horas de experiência. Essa dificuldade inicial poderia fazer com que muitos usuários desistissem antes mesmo de aprender as principais mecânicas do jogo.
Para reduzir essa barreira, PUBG começou a colocar oponentes controlados por inteligência artificial em determinadas partidas a partir de 2020.
Esses bots foram desenvolvidos para apresentar um nível de habilidade um pouco inferior ao de um jogador humano comum. Dessa forma, iniciantes poderiam sobreviver por mais tempo, conseguir suas primeiras eliminações e entender melhor o funcionamento das armas, do mapa e da zona segura.
Jogadores ficaram mais tempo no game
A pesquisa foi realizada por Zhechao Yang, Qili Wang e Liangfei Qiu e publicada online em 30 de junho de 2026 na revista acadêmica Information Systems Research.
De acordo com a Universidade da Flórida, a presença dos adversários controlados por IA fez com que os jogadores permanecessem aproximadamente 50% mais tempo em PUBG.
Outro resultado chamou ainda mais atenção: as partidas em equipe com amigos cresceram cerca de 28%.
Em vez de isolar os usuários e substituir completamente as interações humanas, os bots aparentemente ajudaram jogadores menos experientes a desenvolver confiança suficiente para entrar em partidas com outras pessoas.
Bots não eram facilmente identificados
Um dos pontos importantes do sistema é que os jogadores sabiam que poderiam encontrar bots, mas nem sempre conseguiam identificar imediatamente se determinado adversário era humano ou controlado pelo computador.
Segundo os pesquisadores, quando um jogador conseguia sobreviver ou vencer um confronto, ele interpretava aquele resultado como um sinal de evolução pessoal. Essa sensação aumentava sua confiança e sua disposição para continuar jogando.
O estudo publicado pela INFORMS relaciona esse comportamento ao conceito de autoeficácia, ou seja, à percepção que uma pessoa possui sobre sua própria capacidade de enfrentar determinado desafio.
Os efeitos positivos foram mais fortes entre jogadores iniciantes e entre aqueles que anteriormente costumavam jogar com companheiros aleatórios.
Bots podem salvar um jogo multiplayer?
Os resultados não significam que todas as partidas devam ser dominadas por adversários controlados por inteligência artificial.
Para jogadores veteranos, enfrentar bots previsíveis pode diminuir a sensação de competição. Também existe o risco de o jogador descobrir posteriormente que algumas de suas eliminações não foram contra pessoas reais, reduzindo a importância daquela conquista.
Por outro lado, quando utilizados com equilíbrio, os bots podem funcionar como uma espécie de treinamento integrado ao próprio multiplayer. Eles ajudam iniciantes a aprender sem obrigá-los a passar horas em tutoriais ou enfrentar imediatamente os melhores jogadores da comunidade.
O ponto mais importante parece ser oferecer opções. Jogadores casuais podem utilizar modos com bots para aprender e se divertir, enquanto quem procura uma competição mais autêntica deve continuar tendo acesso a partidas exclusivamente contra humanos.
Inteligência artificial como ferramenta de aprendizado
Os pesquisadores acreditam que esse mecanismo pode ser aplicado além dos videogames. Sistemas de inteligência artificial poderiam ajudar pessoas a praticar novas habilidades em ambientes controlados antes de enfrentar situações reais mais exigentes.
No caso de PUBG, a IA não substituiu completamente os jogadores. Ela funcionou como uma etapa intermediária que ajudou iniciantes a ganhar experiência e, posteriormente, jogar mais com seus amigos.
A descoberta abre uma discussão importante para o futuro dos jogos online: os bots podem prejudicar a experiência competitiva quando utilizados em excesso, mas também podem impedir que novos jogadores abandonem um título antes de realmente aprender a jogar.
E você, prefere partidas somente contra jogadores reais ou acredita que os bots são importantes para ajudar os iniciantes? Deixe sua opinião nos comentários.